Por que a alfabetização em IA é o novo imperativo de segurança
17 de agosto de 2026
Ajudar os jovens a prosperar no mundo digital inclui olhar além de narrativas simplistas que retratam a vida online como intrinsecamente boa ou ruim. Também devemos nos concentrar nas experiências autênticas e cotidianas da Geração Z para entender o que os capacita a prosperar. À medida que entramos em uma nova era definida pela rápida ascensão da IA generativa, o compromisso de embasar nosso trabalho de segurança em pesquisas objetivas é mais crítico do que nunca, e isso ajudará a garantir que o Snapchat continue sendo um serviço de comunicação focado na autenticidade, conexão, pertencimento e relevância.
Hoje, estamos compartilhando novos insights do quinto e último ano do nosso estudo do Índice de Bem-Estar Digital (DWBI), especificamente resultados centrados no cenário em evolução do conteúdo gerado por IA e seu impacto nos relacionamentos interpessoais.
Nos últimos cinco anos, o Snap realizou uma pesquisa independente da plataforma para ajudar a rastrear e medir o bem-estar psicológico online da Geração Z. Realizamos esta pesquisa para contribuir com a base global de evidências sobre os hábitos e práticas digitais dos jovens, e ela ajuda a conscientizar sobre preocupações emergentes para que pais, educadores, empresas de tecnologia, governos e sociedade civil possam trabalhar juntos de forma mais eficaz para mitigar riscos, reduzir danos potenciais e evitar a recorrência. O DWBI examina as experiências de jovens de 13 a 24 anos em seis países em todo o ecossistema digital mais amplo, em vez de se concentrar em uma única plataforma, incluindo o Snapchat. As descobertas mais recentes da Austrália, França, Alemanha, Índia, Reino Unido e EUA incluem novos insights sobre a criação e a distribuição de imagens deepfake entre a Geração Z.
O debate público em torno da IA geralmente oscila entre otimismo desenfreado e preocupação profunda. Em vez de confiar em qualquer um dos extremos, as descobertas mais recentes do DWBI fornecem uma visão baseada em evidências de como jovens de 13 a 24 anos nas seis regiões geográficas estão interagindo com a IA generativa. Essas descobertas revelam um cenário complexo e, às vezes, preocupante das interações entre jovens envolvendo deepfakes. Por exemplo:
Quase um terço (30%) dos entrevistados, com idades entre 13 e 24 anos, relatou ter criado um deepfake de outra pessoa
Mais da metade (53%) daqueles que criaram um deepfake relatou que a ação resultou em “drama” ou “conflito” dentro de seus círculos sociais, e
Embora a maioria tenha usado as ferramentas de IA generativa para criatividade, diversão e entretenimento, mais de um terço (35% no total) disse que os deepfakes que criaram foram feitos com intenções prejudiciais, especificamente: fazer alguém parecer mal ou para chatear a pessoa (12%), em retaliação (12%) ou para provocar ou assediar outra pessoa (11%).
Quando questionados sobre como responderiam especificamente a um deepfake sexual de si mesmos, a grande maioria (81% no total) dos adolescentes menores de idade disse que conversaria com alguém, principalmente com um dos pais (65%), enquanto 7 em cada 10 jovens adultos da Geração Z (70%) recorreriam às autoridades (53%) e às plataformas de tecnologia (51%) como seus principais canais de denúncia. Mais de 1 em cada 10 adolescentes menores de idade (18%) e mais de 2 em cada 10 pessoas de 18 a 24 anos (22%) disseram que simplesmente ignorariam ou não tomariam nenhuma das ações listadas. O gráfico abaixo descreve as opções de ação oferecidas.

Essas descobertas ressaltam uma verdade fundamental: o bem-estar digital no século XXI exige mais do que ferramentas e recursos de segurança tradicionais; exige alfabetização profunda e conhecimentos práticos em IA. Quando 30% dos jovens relatam ter criado mídia sintética envolvendo amigos e colegas, essas atividades pode trazer consequências para as relações pessoais, para a reputação e para o controle que a pessoa tem sobre a própria imagem.
Portanto, os debates sobre políticas públicas precisam deixar o medo de lado e adotar uma visão que enxergue o jovem de hoje de forma integral no ambiente digital. Podemos considerar três componentes principais:
Alfabetização em IA: ajudar os jovens a entender não apenas como usar a IA, mas também os impactos éticos e sociais de criar conteúdos que envolvam outras pessoas sem o consentimento delas.
Controle pessoal: capacitar os jovens para que reconheçam limites e busquem manter o controle sobre suas próprias representações digitais, e
Comunicação aberta: incentivar adolescentes, pais, educadores e outros adultos de confiança a conversar de forma aberta e reflexiva sobre a qualidade versus a quantidade das interações digitais, reconhecendo que qualquer deepfake criado, mesmo que “por brincadeira”, pode deixar marcas profundas e duradouras nas outras pessoas.
A propósito, quando questionados sobre onde e com quem estavam aprendendo a usar ferramentas de IA de forma segura e responsável, 8 em cada 10 jovens de 13 a 24 anos (81% no total) responderam que aprenderam sozinhos. Apenas um quarto (27%) dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmou ter aprendido com os pais, enquanto os professores foram citados por apenas um em cada dez adolescentes (11%) e jovens adultos (10%).
Esses achados fazem parte de um estudo de cinco anos da Snap sobre o bem-estar psicológico da Geração Z nos ambientes virtuais de diversas plataformas. O relatório traz os dados mais recentes e finais do nosso Índice de Bem-Estar Digital (DWBI), que avalia como adolescentes (de 13 a 17 anos) e jovens adultos (de 18 a 24 anos) estão se saindo nas interações online em seis países. Também realizamos uma pesquisa com pais de jovens entre 13 e 19 anos sobre as experiências dos filhos em ambientes digitais. A pesquisa mais recente foi realizada entre 11 e 30 de maio de 2026 e ouviu 9.005 pessoas, cobrindo as três faixas etárias e as seis regiões do estudo. Os resultados completos, incluindo o índice mais recente de cada país e a média geral das seis nações, serão divulgados em fevereiro de 2027, no Dia da Internet Segura. Optamos por antecipar a divulgação dessas descobertas relacionadas à IA devido às recorrentes discussões globais sobre as questões mencionadas.
Ao encerrarmos esse capítulo de cinco anos de estudo do bem-estar digital e evoluirmos o foco da nossa pesquisa para os próximos anos, nossa missão em todo o ecossistema permanece clara: construir espaços online onde os jovens possam aprender, rir e se conectar da forma mais segura e autêntica possível. O aumento dos deepfakes é um lembrete de que, à medida que a tecnologia evolui, nossos esforços operacionais e educacionais devem evoluir com ela. Ao continuarmos focando em alfabetização, resiliência e pensamento crítico, podemos ajudar a garantir que a próxima geração não apenas “sobreviva” online, mas realmente prospere.
Em apoio a esses esforços, no mês passado, o Snap anunciou que vídeos totalmente gerados por IA não serão mais qualificados para recomendação no recurso Holofote do Snapchat. De fato, à medida que conteúdos de baixa qualidade, repetitivos e gerados por IA se tornam cada vez mais comuns nos espaços online, o Snap quer que o Holofote continue sendo um lugar onde as pessoas possam descobrir a criatividade autêntica de pessoas reais. Também criamos um breve informativo para pais e adolescentes sobre conteúdo gerado por IA.“Pare Pense. ISSO poderia ser IA?” foi desenvolvido para iniciar conversas entre adolescentes, pais e outros adultos de confiança sobre o uso seguro e responsável das ferramentas de IA. Também colaboramos com vários outros grupos e organizações, e fomos os primeiros a apoiar a campanha Know2Protect do Departamento de Segurança Interna dos EUA, aumentando a conscientização sobre a exploração e o abuso sexual infantil. A Know2Protect publicou um guia básico sobre deepfakes aqui.
No âmbito das políticas públicas, o Snap apoiou a Lei Take It Down, que entrou em vigor em maio de 2025, estabelecendo uma estrutura federal nos EUA para lidar com imagens íntimas não consensuais, incluindo conteúdos gerados por IA. A lei torna crime federal publicar intencionalmente ou ameaçar publicar imagens íntimas sem consentimento, seja o material autêntico ou gerado de forma sintética, e exige que as plataformas abrangidas ofereçam um processo de denúncia e removam o conteúdo denunciado em até 48 horas.
Preocupações semelhantes estão refletidas na campanha “No to Nudify” lançada no Dia da Internet Segura de 2026, que reuniu organizações de segurança infantil e da sociedade civil, muitas das quais são parceiras e colaboradoras do Snap. A WeProtect Global Alliance, a INHOPE, a Internet Watch Foundation, o NCMEC, a Child Helpline International, a Offlimits e a Safe Online pediram a proibição das ferramentas de nudificação por IA. A campanha defende que os chamados aplicativos de “nudez” não são, na verdade, experimentações inofensivas, mas são usados para criar imagens sexualizadas não consensuais a partir de fotos comuns e estão cada vez mais associados a assédio, coerção, extorsão sexual e abusos que afetam mulheres, meninas e crianças.
O Snap também participa de programas práticos em todo o setor, desenvolvidos para limitar a disseminação desse material no Snapchat. Somos membros do programa Take It Down do NCMEC para menores e do esforço StopNCII da SWGfL para maiores de 18 anos, recebendo e utilizando assinaturas digitais exclusivas, ou “hashes”, para ajudar a detectar imagens íntimas duplicadas e remover conteúdos que violem nossas regras. Esses esforços são importantes porque focam não apenas na detecção inicial, mas também na prevenção da recirculação de imagens íntimas conhecidas e deepfakes sexuais assim que eles começam a se espalhar.
— Jacqueline Beauchere, Chefe Global de Segurança da Plataforma, Snap Inc.